Sintrense compra Relógio de D. Fernando II de 1865

Sintrense compra Relógio de D. Fernando II de 1865

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O Grande relógio vermeil “La Basse-Cour” com a cifra da condessa de Edla, de António Manuel de Santa Bárbara do ano de 1865, em prata dourada foi comprado pelo sintrense Daniel André chegou hoje a Sintra.

O relógio denominado” a Quinta” pertenceu ao rei D. Fernando II e foi prenda para a sua segunda esposa a Condessa de Edla.

O relógio em forma de barril repousando sobre um terraço decorado com galinhas, coelho, cesto, flores e folhas, um peru com asas abertas descansando sobre um ramo de espigas de milho no topo do barril, assinado Santa Bárbara.

O nome Santa Bárbara é de uma família de pintores miniaturistas ligados à corte de Portugal. O pai, António Joaquim, é conhecido pela interpretação do rei D. Miguel. O Seu filho António Miguel por sua vez recebeu a patente de pintor oficial da Corte em 1866 e participou da Exposição Universal de Madrid em 1871 com um retrato da família real portuguesa. 

É surpreendente que ele estivesse interessado aqui em escultura e relojoaria, mas certamente é uma encomenda real muito especial. O rei, sem dúvida, pediu ao seu pintor oficial, cujo talento ele conhece como entalhador, que executasse esta peça extraordinária para oferecê-la à sua segunda esposa.

O relojoeiro francês Giovanni Vincenti, de origem corsa, estudou em Paris. Mudou-se para Montbéliard em 1823 e morreu em 1834. A oficina foi assumida por Albert Roux, mantendo o nome Vincenti. Ele recebeu uma medalha de prata em 1824, 1834 e 1855.

Em conversa com Daniel André, novo proprietário desta obra de arte, a sua emoção era visível.

“Não compreendo como ninguém se interessa pela aquisição destas peças únicas da nossa história. Nem a Câmara Municipal, nem os Parques de Sintra, ninguém. Tive de ser eu que sou o mais economicamente desfavorecido a chegar-me a frente.” Conta-nos Daniel André.

Deixei ali todas as economias de uma vida, todas, não sei como vou sobreviver de agora em frente com a pandemia” perguntámos em relação ao valor do relógio – “o valor de leilão começou em 45.000 €, o preço martelo foi de 58.350 €. Se fosse mais 650 € não o conseguia comprar

Perguntámos se estava disposto a fazer alguma cedência do Relógio para exposição a algum museu ou exposição. Respondeu-nos que: “não, o relógio não vai sair daqui da minha casa,vou convidar uns amigos próximos para verem e nada mais. Já tenho lugar para ele na minha Sintriana. Vai ficar em baixo do quadro de Sintra do Francisco de Holanda.

Congratulámo-nos por esta fantástica obra de arte estar em boas mãos.

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