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Sintra Assombrada

 

Não é preciso ter imaginação muito fértil para desenhar cenários assombrosos e fantasmagóricos á volta de muitas Quintas espalhadas por Sintra. Porta sim porta não há estórias e lendas mais ou menos arrepiantes a descobrir. Sintra é um local de esoterismo e magia e é-o em termos activos. No parque da pena à noite há dias em que há mais gente do que de dia. Eu próprio já assisti várias vezes a cerimónias esotéricas. Também há actos mágicos e de outra ordem realizados noutras zonas da serra. Muitas vezes assisti perto do Alto do Monge, no Parque da Pena e num dos picos dos Penedos Gordos na Tapada do Mouco a estes estranhos acontecimentos. E por ventura se isto podia parecer algo negativo que denegrisse a sua imagem, pode pelo contrario ser aproveitado no sentido inverso, considerando que é especial uma vila ter uma forte dimensão histórica, uma imagem de prestigio e ainda um ambiente misterioso que cativa as pessoas e que esta em actividade.

 

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Quinta da Penha Verde, 17 de Outubro de 1982.Em Sintra são ainda muitos os que recordam a noite em que choveram pedras na quinta da Penha Verde para grande susto da caseira da propriedade, Elvira Teodoro. GNR e Bombeiros acorreram ao local encarregados de descobrir a origem de tão estranho fenómeno. Apontados os projectores dos carros vermelhos na direcção aos objectos flutuantes, as autoridades constataram com espanto que as pedras, iguaizinhas às espalhadas no chão, apareciam no ar a meia altura e caiam.

Através do jornalista Vitor Mendanha e do fotógrafo Hermínio Clemente o Correio da Manhâ publicou uma extensa reportagem intitulada «Choveram pedras durante 6 horas sobre uma mulher», acompanhada de fotografias do local dos acontecimentos e de alguns dos protagonistas.

 

«Durante mais de seis horas caíram pedras do espaço sobre dezenas de pessoas idóneas na Quinta da Penha Verde em Sintra, obrigando os caseiros a chamarem a GNR e os bombeiros daquela vila, os quais também foram atingidos pelos calhaus, respondendo a tiros de rajada sobre inexistentes apedrejadores. Este caso, a que até os soldados da GNR não atribuem razão natural, deu-se no passado domingo e teve como principal intérprete Elvira da Conceição Teodoro, mulher do caseiro Avelino da Costa Gonçalves que cuida, desde há bastante tempo, daquela quinta … pertencente à família Ernesto Rau…».

 

Declarou José Ribeiro, dos Bombeiros Voluntários de Sintra:

 

«Domingo à noite…a GNR veio cá ao quartel pedir o nosso gerador e projectores. Quando chegámos à Quinta da Penha Verde chovia pedrada por todo o lado e os guardas andavam ao tiro para o ar e para as moitas, julgando tratar-se de homens que os estavam a apedrejar...».

 

Acrescentou o jornalista:

 

«O bombeiro José Ribeiro era acompanhado por outros colegas, como os soldados da paz Joaquim António e Eduardo Silvestre, e começou a fazer pouco da cena, dizendo não acreditar em bruxarias, mas foi nessa altura que lhe aconteceu algo de insólito….»

 

«Mal disse que não acreditava que estivesse a chover pedras, veio um calhau na minha direcção e, se não me afasto, partia-me a cabeça. Ainda está a marca no portão, e o mais esquisito é que as pedras estavam quentes… Por mais que ela (a mulher do caseiro) fugisse, os projécteis iam lá ter. A certa altura a mulher veio para junto do jipe da GNR e as pedras começaram a cair nesse local. Achei então que vinham do outro mundo pois, mesmo as que acertavam nas outras pessoas, como aconteceu com guardas, não magoavam, mas as que caíam sobre o jipe deixavam marcas na chapa… ».

 

Prosseguiu o articulista:

 

«Era já noite cerrada e mais de vinte homens da GNR, vindos dos quartéis de Sintra, Algueirão e Colares, tentavam descobrir ainda a razão da chuva de pedregulhos, alguns deles com o volume duma mão fechada… Também veio um carro-canhão dos BVS para disparar milhares de litros de água… Como, apesar da madrugada ir alta, não cessava o apedrejamento, as forças da ordem e os bombeiros, impotentes para resolverem o problema, regressaram aos quartéis para voltarem no dia imediato, segunda-feira, pois o fenómeno continuou, só terminando quando Elvira da Conceição Teodoro e os filhos abandonaram a quinta para irem viver numa pequena casa perto de Queluz…

 

O fenómeno das pedras voadoras começou pelas sete horas, quando o caseiro Avelino Gonçalves ouviu bater algumas no portão…. Recorda-se de a primeira sessão de pedrada ter sucedido em Abril do ano passado quando cavava batatas … No entanto desta vez foi demais e até os cães ganiram e fugiram….

 

O local é isolado, no sopé da serra, a meio caminho entre Sintra e Monserrate…. No posto da GNR conseguimos falar com alguns soldados que lutaram contra as pedras na noite e madrugada do passado domingo, disparando tiros e sendo alvejados por algumas. Um deles garantiu-nos: as pedradas vinham de todos os lados, sem barulho, e uma delas caiu-me no braço, sem me magoar, apesar de ser grande. Outra atingiu um camarada meu na cabeça … e nem sequer o feriu… Desde que vigiassem a mulher do caseiro com a luz dos projectores, os calhaus deixavam de cair mas, mal tiravam a luz de onde ela se encontrava, também a chuva de pedradas regressava em força…

 

Havia que procurar a principal vítima do apedrejamento sem explicação natural e encontrámos Elvira da Conceição Teodoro num bairro pobre perto de Queluz, rodeada pelos seus filhos, todos menores … Aparenta 35 anos mas sofre de epilepsia desde muito nova e a sua vida tem sido um inferno … Elvira da Conceição Teodoro não entrou em contradição sobre o que aconteceu na Quinta da Penha Verde, sendo o seu depoimento precisamente idêntico ao do marido, ao dos bombeiros e ao dos guardas da GNR…».

Este é um dos casos que merece o carimbo de inexplicado da Associação Portuguesa para a Investigação.”O fenómeno não tem explicação imediata. Numerosas testemunhas entre bombeiros e militares da GNR entrevistados por nós, testemunham que houve uma queda de pedras inexplicada que já foi atribuída, no âmbito da parapsicologia, a um fenómeno de Telecinesia provocada pela caseira que estava sempre presente quando estas coisas aconteciam.

 

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Palácio de Valenças quem tiver o hábito de ir ao Palácio de Valenças á antiga biblioteca ou agora ao arquivo Histórico como eu, vai passar a olhar este palácio de outra forma. Pelos antigos corredores do antigo palacete que nos pisamos, consta que vagueia a alma da Palmira, uma fiel empregada apaixonada pelo Conde Valenças que depois da morte do Conde se suicidou por não aguentar as saudades. A estória foi espalhada por um vigilante que costumava ficar na cave e ouvia vozes da Palmira.

 

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Quinta da Bela Vista também sofre de amores eternos além-túmulo. Erguida nos finais do séc. XVIII como casa recreio para um duque que ali se recreava com os seus muitos encontros amorosos. Tão forte era a paixão que afinal nem a morte os separou. Diz-se que por aqueles lados o Duque e sua amada continuam a amar-se pouco ralados com o mundo real. Certa noite um casal inglês que arrendou a mansão ouviu risos e passos no piso inferior. Foram espreitar e deram de caras com o alegre casal a brindar com vinho do Porto.

Parecia mal se o mais emblemático monumento de Sintra não tivesse o seu fantasmazito. É coisa pouca é verdade mas diz-se que no Palácio Nacional da Pena ouvem-se vozes na sala de Jantar testemunhados por alguns empregados daquele sitio.

No âmbito da parapsicologia são os seres vivos e não as almas do outro mundo que, em caso de perturbação psíquica intensa podem produzir inconscientemente uma espécie de energia que produzirá situações tão estranhas como estas:

 

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Ecto-colo-plasmia : “aparecimento” de membros ou órgãos do corpo humano.

  • Escotografia: impressão em filmes fotográficos.
  • Fantasmogénese: criação de fantasmas mais ou menos transparentes revestindo uma forma humana ou animal.
  • Hiperestesia : sensibilidade excessiva a todos os estímulos incluindo os que provocam sensações dolorosas.
  • Pirogénese : fogos espontâneos ou combustão espontânea.
  • Telecinestesia : movimentos de objectos á distância.
  • Telergia : fenómeno de desagregação e libertação de forças motoras e plásticas do homem, bem como forças corporais, dirigidas pelo  psiquismo inconsciente que provoca os fenómenos paranormais.

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