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Quinta da Amizade

Esta casa edificada por Luigi Manini para o seu amigo Carlos Sassetti, surge-nos de formada por uma sucessão de corpos desnivelados que se estendem a partir de um torreão central, as suas diferentes volumetrias evocam o estilo florentino quatrocentista.

 

Casa inserida em quinta de planta irregular, composta por 2 corpos adossados a um corpo central cilíndrico, massa de volumes articulados predominantemente verticalista. Coberturas exteriores de telhados de uma água, encimados por chaminés descentradas com beiral avançado. Nas fachadas de pedra viva abrem-se janelas, algumas delas geminadas e emolduradas por singelos arcos de tijolo.

 

Vila Sasseti em Sintra ou Quinta da Amizade

 

No 1º piso, vestíbulo de paredes de granito e pedra. No torreão central, sala de desenho em forma circular, ladeada por sala de jantar em forma de pentágono com janela ao estilo românico dividida por coluna. Sala de pequeno-almoço com lareira original bem como cozinha, casa de banho e dois quartos. Escada de granito com acesso ao 2º piso. Esta dá acesso a outro vestíbulo que antecede sala de estar em forma circular e corredor que dá acesso a quarto principal com tecto e porta de madeira trabalhada, bem como biblioteca e casa de banho. Na sala de estar do 2º piso são utilizados azulejos geométricos hispano-árabes do séc. 14 e 15. Este piso tem também porta para o jardim. No 3º piso, ligado por escada em espiral, quarto de dormir.

 

Vila Sasseti ou Quinta da Amizade em Sintra

Edifício abundante em painéis de azulejo figurativo e geométrico. No vestíbulo de entrada, painéis com cenas de caça, que se utilizam também na sala de desenho; na sala de estar azulejos que ilustram a história da Quinta da Amizade. As outras divisões são decoradas com azulejo policromado do séc. 17 e 18. O arquitecto italiano detalhou ainda um candeeiro, uma escada e um pombal que construído perto da casa reforça o dinamismo espacial e o efeito de perspectiva do conjunto.

O interior oitocentista desta mansão mantem-se inalterado apesar das recentes obras de restauro ai praticadas. A estrutura decorativa sobressai pela originalidade do estilo rustico adotado.

 

 

Carlos Sassetti natural de Sintra e profundamente enamorado pela Vila e a sua Serra explorou sobremaneira a ambiência deste paraíso local. A atitude de Sassetti refletiu-se sobretudo nos planos que regeram a execução da casa rodeada pelo exótico parque da Quinta da Amizade, a qual mandou erguer na primeira metade de oitocentos como hospedaria na soalheira encosta do Castelo e sobranceira à Vila. Implantado na encosta da Serra de Sintra circundado por jardim e mata murado com entrada pedonal através de um portão de ferro, pela Calçada das Merendas a Norte, e por outro portão com acesso a viaturas a Oeste em altimetrias diferentes. Possui um Jardim com cameleiras, centúrias, magnólias gigantes e grande variedade de laranjeiras, palmeiras, limoeiros e velhos cedros libaneses. Decoram o jardim várias fontes e canteiros de buxo.

 

 

 

 

 

Vila Sasseti interior do quartoVila Sasseti sala de estar

 

 

 

 

Vila Sasseti lareira da sala de estar 

 

Cronologia

 

1851 - 20 Outubro - nascimento de Victor Carlos Sassetti, em Sintra, que viria a ser proprietário do Hotel Victor em Sintra e do Hotel Braganza em Lisboa.

1885 - Aquisição de três terrenos na Serra de Sintra para a feitura de uma casa de veraneio no local, por Victor Carlos Sassetti.

1890 - Projecto da vila da autoria de Luigi Manini.

1890 - 1894 - Construção da casa.

1894 - 16 Abril - registo da propriedade, já tendo esta um terreno ajardinado e a casa concluída.

1894 - meados - Luigi Manini apresenta um novo projecto de ampliação do edifício, acrescentando ao imóvel alguns elementos de inspiração militar, que não seriam concretizados.

1915 - 06 Dezembro - morte do proprietário na sua casa de Lisboa, sendo seus herdeiros os filhos Carlos Sassetti e Helena Fernandes Sassetti.

 

Vila Sasseti pormenor da Torre

 

Séc. 20

 

Década de 40 - terá sido habitada ocasionalmente por Calouste Sarkis Gulbenkian.

 

1955 -

15 Setembro - a casa é vendida a Isabel Armanda Luísa Real, por 300.000$00.

27 Setembro - pedido de licença de ampliação da casa pela nova proprietária, com criação de um novo corpo a E., onde surgiram novas salas e instalações sanitárias, desaparecendo a ponte e o acesso do piso superior.

27 Outubro - conclusão da obra.

1957 - 03 Abril - pedido de autorização para a construção da casa para o caseiro a meio da encosta.

1958 - 25 Janeiro - conclusão da feitura da casa do caseiro; o nome da vila muda para Quinta da Amizade.

1979 - Venda da propriedade a Isabel Maria Castro Santos.

1984 - 20 Junho - venda da propriedade a Sara Gabriel Teixeira de Albergaria, que regressa a Portugal após missão diplomática em Roma e traz mobiliário.

2000 - Encontra-se à venda por parte dos herdeiros de Sara Albergaria.

2004 - 16 Janeiro - autorização da Assembleia Municipal de Sintra para aquisição do imóvel por parte da autarquia.

 

Quinta da Amizade

 

A partir de 1850 a quinta da Amizade acolheu alguns dos mais notáveis vultos das letras nacionais nomeadamente Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Alberto Pimentel que a elegeram como estância predileta para os seus longos e inspirados veraneios. Decerto sentiram fascínio pelo magistral efeito surpresa obtido através do jardim pleno de contrastes de luz e de sombra.

Mais tarde, em meados do séc. 20, passa a ser a escolha de Calouste Gulbenkian para passar umas temporadas de repouso em segredo ou na companhia de amigos.

Esta magnifica Quinta atualmente pertence à Parques de Sintra Monte da Lua.

 

Quinta da Amizade - jardim 

 

 

 

Bibliografia

-Manuel Guimarães –“ Uma casa na serra da lua, Sintra”

-Denise Pereira e Luckhurst –“Luigi Manini e o projecto da Vila Sassetti em Sintra”

-Fundação Cultursintra – “Luigi Manini : imaginário e método”