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Capela da Sra. da Piedade

 

 

No âmbito das capelas particulares ou locais, a Capela de Nossa Senhora da Piedade, contígua à actual Quinta da Capela, é uma edificação típica da arquitectura religiosa portuguesa da segunda metade do século XVI.

 

Planta de nave única abobadada e capela-mor quadrangular, com a mesma largura da nave, iluminada por uma janela aberta na parede lateral direita. A iluminação da nave processa-se por uma janela quadrangular rasgada na parede axial.

 

A abóbada de ogivas artesoada, apoiada em mísulas com decoração vegetalista, possui na chave central o brasão dos Castros, o que poderá remeter a sua fundação para iniciativa daquela família. Nas restantes chaves foram esculpidos, em baixo-relevo, motivos vegetalistas alguns dos quais com motivos ainda de carácter medievalista, nomeadamente na tradição do vegetalismo manuelino.

 

Em 1721, o 3º duque de Cadaval, D. Jaime, restaurou a capela, datando de então os magníficos painéis de azulejos que cobrem a totalidade da nave e da capela-mor. As superfícies azulejares têm sido atribuídas ao famoso pintor de azulejos António de Oliveira Bernardes (e. 1660-1732) cuja oficina foi a principal escola de pintura azulejar da época, aí se formando os grandes artistas da geração seguinte (Meco, 1985:50). As características cromáticas da sua pintura (o azul sobre fundo branco) apontam para as continuidades estética do azulejo português do último quartel do século XVII de influência holandesa (Correia, 1917: 202).

 

Capela da Nossa Senhora da Piedade

 

O revestimento da nave é constituído por painéis representando, no primeiro lambril, cenas de carácter pastoril e, sobre este, quadros da Paixão de Cristo: a Última Ceia, o Lava Pés, Cristo no Jardim das Oliveiras, a Flagelação, a Coroação de Espinhos e o Beijo de Judas. Assume particular destaque a composição perspectivada da Última Ceia, com a mesa orientada em função das dimensões do arco triunfal. Trata-se de um conjunto de cenas bem elaboradas e enquadradas e com sentido volumétrico e de profundidade, emolduradas nos panos laterais da abóbada.


Os painéis historiados estão delimitados por cercaduras de acentuado dinamismo barroco que adquire uma expressão volumétrica quase escultórica (Meco, 1985: 50).

Nos painéis de azulejos da capela-mor foram representadas cenas bíblicas, entre as quais A Visitação. No altar barroco, no interior de um nicho ladeado de colunas salomónicas decoradas com videiras, está uma Nossa Senhora da Piedade ricamente vestida. No exterior do «templete», as esculturas representando Santo António e São Francisco.

 

Capela da Nossa Senhora da Piedade 

Piedade são escassas: planimetria e volumetria indicam que a sua fundação ocorreu na segunda metade do século XVI, provavelmente, conforme indica a chave principal da abóbada da nave, por iniciativa da família dos Castros, possuidores de laicos domínios em Sintra. A porta, por seu turno, confirma ainda a atribuição cronológica da igreja. Em data que se ignora, a Capela foi integrada na Quinta do Duque, propriedade da Casa de Cadaval onde actualmente ainda se mantém.

 

No tempo do duque D. Jaime realizavam-se sumptuosas festas anuais, a lO, 11 e 12 de Setembro, em honra de Nossa Senhora da Piedade. As festas de 1720 encontram-se descritas com pormenor por um ermitão da Ermida de Nossa Senhora da Peninha, Frei Pedro da Conceição. Nelas se tem a notícia de corridas de touros, fogos de artifício, foguetes e da presença de muitos membros da nobreza; o próprio rei, D. João V, ao tempo empreendendo as obras do Palácio-Convento de Mafra, esteve presente.

 

Capela da Nossa Senhora da Piedade